Alvorada.
Mais uma.
Gotas de orvalho, e meu povo ja andando pelas folhas como todos os outros dias. Barulhos sufocados, leves, cotidianos.
Mais uma.
Gotas de orvalho, e meu povo ja andando pelas folhas como todos os outros dias. Barulhos sufocados, leves, cotidianos.
Alvorada novamente... e o Muro fica sempre là, tao proximo e tao longe ao mesmo tempo, dependendo do meu humor.
A neblina na verdade è o que define os confins do meu mundo, e nao o Muro em si. O Muro fica além, fica sempre um pouco além do alcance de tudo, do olhar, dos pensamentos as vezes.
A neblina è o horizonte que eu vejo, a barreira que confunde a minha visao e facilita o esquecimento, o mudar de direçao das minhas reflexoes, para eu endereça-las a mais um dia comum, mais umas horas de luz dedicadas a pensar que tudo que existe è esse mundo entre as folhas, que ja conheço, que me faz sentir parte de algo de seguro e comprovado, que existe, que meu povo costuma chamar de "casa".
A neblina deixa tudo mais facil.
Tudo que nao vejo, que nao enxergo, è mais facil de eu esquecer. Mais facil de deixar num cantinho da minha mente, escondido.
Mais uma alvorada entao, mais um dia como todos os outros. Mais um pedacinho de vida que eu vivo aqui, no mundo de sempre, evitando me aproximar às aventuras que me esperariam alem do Muro là no fundo, onde meu olhar se perde e o que eu conheço acaba... onde começa a imaginaçao.
Mas nao. Mais uma alvorada comum.
Mais uma.
Free'ts